Cadê as ciclovias?
Bicicletas
e mobilidade urbana
O espaço urbano de Timóteo vem passando por
profundas modificações nos últimos anos. Na esteira do crescimento das linhas
de financiamento, o mercado imobiliário ergueu prédios e modificou a paisagem
de muitos bairros. Na esteira da ampliação da capacidade de consumo do
brasileiro, cresceu o número de carros e motos. O que tem feito o poder público
local? Parecemos mais uma “cidade à deriva”. Debrucemo-nos sobre um pedacinho
dessa discussão. Vejamos como (não) andam os esforços para inserir a bicicleta
no desenho urbano da cidade.
A bicicleta foi eleita pela ONU como o
transporte ecologicamente mais sustentável do planeta. De
outro lado, o automóvel privado é o grande poluidor do ar do planeta.
Talvez
a maior e a pior revolução do século XX, o
automóvel colonizou a cidade, o espaço e o tempo de circulação. No
Brasil, a intensidade dessa colonização foi absurda, afirmando-se na segunda
metade da década de 50 (Plano de Metas) e durante o regime militar (64-85).
Trata-se
de uma cultura rodoviarista, que dispensou o modo de transporte sobre trilhos
no espaço inter-urbano. Trata-se
de uma cultura, que assim voltada para o automóvel, pouquíssima atenção deu aos
modos de transporte coletivo (ônibus e metrô) e não motorizados (a pé e de bicicleta) no espaço (intra) urbano.
Segundo
o Instituto Rua Viva, o automóvel ocupa
90% do espaço viário, para transportar apenas 20% das pessoas. Além
desta irracionalidade, compromete excessivamente os recursos do SUS em função
dos acidentes gerados, gera deseconomias em decorrência dos congestionamentos e
é extremamente nocivo ao meio ambiente.
Urge transformar nossa política de
mobilidade urbana, centrada no uso indiscriminado do automóvel!
Esta
nova abordagem tem como centro das atenções o deslocamento das pessoas e não dos veículos.
É aí que entra a bicicleta, que traz consigo, dentre outras vantagens:
É aí que entra a bicicleta, que traz consigo, dentre outras vantagens:
Baixo impacto ambiental.
Baixo porte da infra-estrutura necessária à circulação e ao
estacionamento.
Única alternativa ao alcance de todas as pessoas, não
importando a renda.
Importante opção no transporte de curta distância.
Dessa maneira, viabilizando-se como um transporte alternativo/complementar ao automóvel:
Promove saúde para seus usuários.
Redução da poluição ambiental e do congestionamento do
trânsito.
Redução do custo da mobilidade das pessoas e inclusão social.
Em TIMÓTEO...
Imaginemos
como poderíamos melhorar o trânsito e as condições de vida da população,
sobretudo da população de baixa renda, se dispuséssemos, como no mapa abaixo, de ciclovias partindo das várias pontas da cidade (Macuco, Ana Moura,
Cachoeira do Vale e Ana Rita) até a Praça 1°
de Maio!
Na
década de 1980, no Ministério dos Transportes, o Grupo Executivo para a
Integração da Política de Transportes – GEIPOT levou
a cabo os Estudos de Transportes Urbanos em Cidades de Porte Médio – ETUB-CPM.
Em Minas Gerais, participaram cidades como Patos de Minas, Itajubá, Governador
Valadares, Ipatinga e Timóteo.
É
muito provável que a parte deste estudo referente a Timóteo, caso ainda exista,
esteja engrossando alguma pratilheira por aí afora... São
as descontinuidades da administração pública brasileira e timotense.
Quase
três décadas depois, o tema voltou à pauta da política local. No dia 20 de
outubro de 2009, a câmara legislativa, por meio da Lei nº 3.000, autorizou o
executivo a elaborar o Plano Cicloviário
Municipal. Em
no máximo 12 meses, este plano deveria estar aprovado! Além de um diagnóstico das ciclofaixas e
ciclovias existentes e em execução, definiria ações a realizar para ampliar a
malha.
O plano não foi elaborado,
lembrando que já estamos em 2012 e o
prazo era até outubro de 2010.
Uma
parte do plano cicloviário seria a ciclovia
Santa-Maria Alphaville. Foi assinado convênio para tal com o Ministério dos
Esportes no dia 18 de dezembro de 2009. Os recursos federais somariam
R$409.500,00 e a contrapartida municipal, R$53.000,00. Ao todo: R$ 462.000,00. Apenas
no dia 21 de junho de 2010 ocorre a licitação, vencendo a Semarc Engenharia, de
Belo Horizonte.
No
mês de setembro, 1,6Km estavam asfaltados. Tratava-se de 1,6 em 4,8Km previstos
para o trecho do Santa Maria ao Limoeiro. A
situação atual, em janeiro de 2012, depois
de dois anos da assinatura do convênio, permanece praticamente a mesma. Apenas um pequeno trecho concluído e, vale
dizer, muito mal feito.
Enquanto
o mercado imobiliário anda às soltas, quase não havendo controle sobre os novos
empreendimentos privados e seus impactos sobre o ambiente urbano e o trânsito;
enquanto cresce a frota de carros e motos, em decorrência da ampliação da
capacidade de consumo do trabalhador brasileiros nos últimos anos; enquanto o
poder público municipal enrola a elaboração do Plano Local de Habitação de
Interesse Social; enquanto se anuncia um nebuloso pacoto de gestão urbana;
enquanto se distribuem títulos de propriedade com critérios ainda não
esclarecidos; enquanto os políticos se preparam para as eleições...
Nossa rede cicloviária e nossos
bicicletários continuam (desde 1980, vale lembrar!) no papel.
Não há interesse político para implantar em
Timóteo uma mobilidade urbana sustentável.
Parece
remota a possibilidade de nos reencontrarmos com aquele passado em que, como
relembram nossos pais e avós, as bicicletas andavam até sozinhas na cidade.
Se
esse dia acontecer, o trajeto das bicicletas, é certo, não mais não será
Acesita-casa, casa-Acesita. O desemprego tecnológico ocorrido na década de 1990
com a privatização não o permitirá. Mas
haverá muitos outros trajetos. Com ciclovias de todas as pontas da cidade até a
Praça 1°
de Maio, como no mapa acima, daríamos um grande passo no sentido de uma cidade
e uma mobilidade urbana mais justas social e ecologicamente.
Fontes:
Instituto
Rua Viva – http://www.ruaviva.org.br/ruaviva/index.html
Plano
Diretor de Timóteo
Lei
nº 3.000, de 20 de outubro de 2009

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