sexta-feira, 30 de março de 2012

Como ser um timotense participativo


Como ser um timotense participativo
Conhecendo nosso território

Falar de participação é considerada por muitos como conflitos pela forma errônea de quem tá recebendo e mesmo de quem está oferecendo. É uma forma de agregar um dos cinco princípios da democracia, é criar um clico de reflexão para as novas oportunidades e desafios; constitui uma necessidade humana, deve ser construída com a leitura da totalidade, levando-se em conta as partes, a influência dominante do momento; Implica que os envolvidos estejam conscientes dos próprios processos, e a responsabilidade de fazer parte do processo e não somente estar à mercê deste.

E aí vem a pergunta, como ser pró-ativo?
Ser pró-ativo é um exercício e nada como termos uma leitura de fora, desprendida de ideias formadas e acabadas, para então conseguirmos visualizar nas entrelinhas invisíveis do processo a arte de ser um ator imprescindível para o desenvolvimento. Exige um senso apurado de percepção que crie oportunidades para a conexão; exige ter a humildade de aprender a aprender; respeitar as tradições, as expectativas sociais e as limitações ambientais; estar ciente da dinamicidade.

Aí você que está lendo, pode pensar: "que blá, blá é este?". Este "blá, blá, blá" é só uma forma de provocar uma discussão para as diversas oportunidades que podem estar bem na nossa realidade e que precisam da nossa participação para sua efetividade.

Então vamos lá!
Se formos enumerar as potencialidades do nosso município, veríamos o quanto ele é um diferencial na região, pois trata-se de um município siderúrgico, mas que ainda não desabrochou para o seu engajamento ambiental.

Vejamos: o município de Timóteo possui 14.399 hectares de área, sendo que 12.139 hectares (84,3%) constituem área verde! 

Essa área verde distribui-se da seguinte forma:
  • Parque Estadual do Rio Doce (PERD) – 5.100 hectares;
  • Área de Proteção Ambiental Serra do Timóteo (APA) – 4.535 hectares;
  • APERAM – 2.505 hectares.

Dessa maneira, nós timotenses somos presenteados com aproximadamente 1100 m² de área verde por habitante. E o curioso que a ONU sugere 12m² de área verde por habitante e aqui, na terra do inox, superestimamos esta sugestão, uma oportunidade de desenvolvimento única!

Devido á representatividade de áreas verdes, recebemos em média anualmente R$600.000,00 de ICMS Ecológico. Aí vai a pergunta: será que ambiente também não é desenvolvimento? Só temos que aplicá-lo de forma correta, para que possamos duplicá-lo. O que não é difícil visto a nossa potencialidade.

Então, seguem algumas dicas para que tenhamos uma Timóteo dos nossos sonhos, uma Timóteo que seja referência em convergir ações no real conceito de desenvolvimento:

=Como podemos contribuir para que os conselhos municipais tenham mais resultados? Só para esclarecer, no município, temos o Conselho Municipal do Meio Ambiente; o Conselho Municipal de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, este recém-criado; e o CODEMA. Será que a sociedade tem acompanhado a atuação dos mesmos?

=Temos conhecimento de que em 2007 foi elaborado um Plano de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais e sabemos que no ano de 2011 o fogo destruiu nossas áreas verdes. Como os parceiros do plano têm cumprido a sua responsabilidade?
  
=O município possui um Plano Diretor e um código de conduta, que são desconhecidos pela maioria timotense. Temos procurado conhecer esses documentos? É fácil dar pitacos, mas para tanto é importante nos apropriarmos do contexto.

=É sabido que houve um avanço no geoprocessamento de nascentes do município. Imaginem: temos um cadastro de 207 nascentes! O que feito deste trabalho? Foi dado continuidade ao monitoramento destas nascentes? 


=Quando falamos em nascente, não podemos esquecer as Áreas de Preservação Permanente – APP, que vêm sendo ignorantemente desrespeitadas.

=Pertencemos à Bacia do Rio Doce, aliás fato desconhecido de muitos timotenses, rio que recebe o rio Piracicaba, sendo este bem visível a todos e que pede um olhar de afeição e de misericórdia, pois, se as suas margens falassem, seria uma declaração pra lá de “absurdos óbvios”.

=A APA Serra de Timóteo é um feito não feito. Como muitas no país, para sua implementação, temos que criar e implementar o conselho deliberativo. A APA já tem quase uma década e este conselho ainda não tem peso nas discussões. O que estamos esperando? Com o Conselho, é mais ICMS ecológico para o município. Então reiteramos: meio ambiente também é desenvolvimento!

=E o nosso então maravilhoso mas pouco explorado Pico do Ana Moura?! Sabiam que lá ocorrem espécies endêmicas de orquídea? Será que essa tão preciosa vista não precisa de mais cuidados? Quem sabe até ser mais uma unidade de conservação? E aí mais ICMS Ecológico! E ainda falam que meio ambiente não é desenvolvimento.

=Quando andamos em alguns bairros, é notório a beleza da verticalização, prédios bonitos, aconchegantes. Porém, como será que anda o saneamento básico? Onde se tinha uma casa, vislumbram-se 30 lares. Estamos preparados para essa evolução verticalizada?

=A coleta seletiva é um desafio em qualquer sociedade. Entretanto, aqui temos um ação que ainda não vem sendo muito bem acolhida por nós. A ASCATI, ao longo dos anos de luta por sua sobrevivência, e o que intriga, que apesar de toda estrutura, ainda não se consolidou em excelência. Onde está o problema real? Projeto arrojado e, no entanto, parado no tempo.


=Nossos queridos fundos de vale. Onde quer passamos lá estão eles. Temos um relevo invejável, onde quer que estejamos, podemos ver as montanhas, a planície e os tão preciosos fundos de vale, que em alguns pontos servem de descarga, criação de gado, invasão, focos de incêndios. Onde está o respeito para com os mesmos? Será que eles são imperceptíveis?

=E o Bioma Mata Atlântica? Eis que temos o Parque Estadual do Rio Doce, criado em 1944, um fragmento significativo para o estado. O Parque é considerado Reserva da Biosfera e Sitio Ramsar, procure ler e veja a preciosidade que temos! Como nós timotenses temos participado de sua proteção? Em Timóteo, temos a Trilha da Lagoa Juquita, que fica no Bairro Macuco. Essa trilha é um fomento ao ecoturismo, que poderá ser um mais um avanço para a economia. Afinal, “floresta” também é desenvolvimento. 

Enfim...
Conciliar Meio Ambiente e os demais interesses, buscando o bem estar, é simplesmente um começo e a sociedade civil organizada é o principal ator.
E nada como o exercício da "sinergia" para o sucesso!!!!!!!!!!!!!!!!


3 comentários:

  1. Parabéns pela iniciativa do blog, e pelo post em específico, que traz informações importantes a respeito da temática ambiental na cidade. Entretanto, creio que a relação entre meio ambiente e desenvolvimento precisa ser melhor refletida por todos nós, já que tanto na esfera política quanto na da academia - divisão essa apenas para fins prático-didáticos - tais elementos são objetos de intenso debate e principalmente, embate. Um ponto de partida interessante para essa reflexão seria o acessível texto de Wolfgang Sachs, "Anatomia do Desenvolvimento Sustentável", que ilustra os diversos pontos de vista que tratam da temática do desenvolvimento e do meio ambiente, bem como sobre a crise das promessas do desenvolvimento, já que a história evidencia a impossibilidade de o mesmo se universalizar no espaço e de ser durável no tempo, e como que o meio ambiente se insere nessa questão. Mudando de assunto, opinando sobre as potencialidades que o meio ambiente poderia oferecer para a cidade, seria bacana se o eco-turismo desenvolvido na mesma significasse a geração de um turismo de base comunitária, isto é, que o mesmo beneficiasse principalmente as minorias que urgem melhorar suas condições de vida. Não conheço a trilha que disse no bairro Macuco, mas agora pretendo conhecer, e lá seria um lugar bacana para essa possibilidade...

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  2. Pedro, de fato a questão das relações entre meio ambiente e desenvolvimento precisam ser melhor discutidas por todos nós, como você disse. Quanto ao turismo de base comunitária, a idéia é ótima e já ouvi gente da Orapronobis discutindo isso. Poderia ser desenvolvido com os moradores do Macuco, bairro extremamente precário e isolado da cidade. Ao mesmo tempo em que se geraria renda, incluindo socialmente essas pessoas, seria possível articular melhor a proteção do PERD com a comunidade do Macuco e timotense em geral. Ironicamente, pergunto: algum de nossos políticos está pensando nisso? Abraço! Luís Barros.

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  3. E aí Luís, é verdade. Seria bacana mesmo. Quando estivermos em Timóteo vamos conhecer essa trilha. E em ano de eleição seria bom identificar quem poderia abraçar essa causa.

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